sexta-feira, março 17, 2006

"Mais Vale Um Asno Que Me Carregue Do Que Um Cavalo Que Me Derrube"

"Mais Vale Um Asno Que Me Carregue Do Que Um Cavalo Que Me Derrube"

(Gil Vicente)

Frase ao mesmo tempo besta e profunda, não acham? Coisa de cursinho...

Vou situar vocês ("vocês", como se muita gente lesse isso), se não quiser se situar, vai direto lá pra baixo, depois que eu citar a frase do título de novo...

Esta frase foi dita por Inês Pereira, num livro de Gil Vicente (esqueci o nome do livro agora...). Não conhecem? nem eu, nunca li um livro dele. Mas a história é mais ou menos o seguinte.

Inês Pereira, é uma daquelas jovens do período medieval que vivem pra casar. Não querem outra coisa, apenas arranjar um bom casamento. Mas ela pensa... (yesss, ela pensa!mulheres, perdão...) como arranjará marido estando sempre ocupada com os serviços de casa? então ela chama 3 pessoas pra casa dela: uma alcoviteira e dois judeus., para ajudá-la nesta busca.

Pra qualquer desinformado corajoso que estiver lendo isso, e não saiba o que é uma alcoviteira, é mais ou menos como uma cafetã... só que da época medieval, ela arranjava mocinhas e mocinhos, mas também arranjava pessoas de bem. Emfim, procurava as pessoas para as pessoas, entenderam? (se não entenderam, é isso mesmo)

Pois então, a alcoviteira lhe apresenta um cara (esqueci o nome também, que coisa...), rico e feio. E meio bobo também. Inês não gostou dele (óbvio) e não o quis. Este cara é do gosto da alcoviteira, e não do gosto dela, oras. Já os judeus, bons comerciantes que são, lhe apresentam outro sujeito, bonito, cavaleiro de cruzadas e tal, tudo o que Inês sonhava. Claro, ela pagou bem pelo serviço (dos judeus, claro).

Inês casa-se com o tal fidalgo. Pra quê. Maior furada. O tal a trancava em casa, maltratava e vivia viajando pras cruzadas (maior mentira, claro, ele nem era cavaleiro), e quando viajava, deixava um empregado dele vigiando Inês 24 horas por dia. Sacanagem, não?

Numa das viagens, O marido dela não volta. E Inês decide seguir com sua vida. Lembra da alcoviteira, e a procura. Ela lhe traz o outro cara, outrora rejeitado por ela, e ela se casa com ele.

Vida boa, ele é rico e bobo, fácil de controlar. E ela o traía sempre (pelo menos foi o que entendi), e ele sempre feliz e cantando. Certo dia, Inês iria "visitar" um ermitão (para os desinformados de novo: ermitão é o cara que vive isolado da sociedade, lembrou? beleza, prossigamos) e o marido resolve levá-la até lá.

Inês estava "naqueles dias", e o bom marido, sempre atencioso, resolve ajudá-la e a leva nas costas, como um verdadeiro burro de carga (sem duplo sentido por enquanto). No caminho, Inês avista duas pedras, e quer pegá-las para decorar sua casa. Pena que são pedras grandes. Sem problemas, o maridão pega as duas pedras, e coloca uma em cada braço, pra equilibrar. Tão atencioso...

Então Inês pensa: "mais vale um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube"

Lindo isso, não?

Pois é. O que eu posso tirar dessa história? alguns exemplos...

Na amizade. Do que vale ter um amigo rico, popular e tal, se ele só te sacaneia? não adianta dizer "ah, mas ele me chama pra ir na casa dele, tomo banho na piscina dele, jogo video-game com ele, etc". Ele te sacaneia, você se sentiria bem? Mais vale um amigo pobre mas que você pode confiar e contar em todas as horas. Nas de alegria e nas de tristeza.

No namoro ou casamento. Exatamente como na história. Casar com alguem pela aparência, é fria. Precisamos conhecer bem a pessoa com a qual vamos passar o resto da nossa vida (ou não). Tantos casos nos jornais de mulheres que sofrem no casamento... depois reclamam né? poderiam ter evitado isso. Mais vale conhecer bem a pessoa, e amar e ser amado de verdade, onde o casal se ajudará mutuamente em tudo.

Vida profissional. Imagina o emprego dos seus sonhos. Imaginou? sinto dizer mas ele não existe. Quer ganhar R$10.000,00 por mês? ótimo, vai ralar. E geralmente quando se ganha isso tudo, sempre tem algo de ilegal ou imoral no meio. Será que vale a pena? Não estou dizendo pra ninguém se contentar com um salário mínimo, pelo amor de Deus!! mas pensa bem no que vai fazer.

Acho que já falei demais, ninguém vai ler até aqui...

Mas é isso, a história é do século XV, mas vale pra nós hoje também.

Por ora é isso.

Um abraço a todos os que se deram ao trabalho (e que trabalho...) de ler até aqui.

3 Comments:

At 11:53 PM, Anonymous Anônimo said...

Dae, Guilherme...

Realmente. Essa frase diz uma besteira verdadeira. Affff! Rimou! Acho q vou escrever um livro também! hUAHuaHauH

Abraços!

 
At 11:15 AM, Anonymous Anônimo said...

Oii guiii..
hiauhauhau como tu consegue???
nossa tu nem passa tantas horas pra escrever essas coisas ai...
(eu ia passar...)
tá neh... tudo bem quem manda tu ter uma mente ivejáveL...haiuhauahau
blz...
bjão
ti cuida

 
At 12:31 PM, Anonymous Anônimo said...

leeegaaal!

 

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